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Escrito por José Joaquim

O futebol brasileiro na última quarta-feira quebrou um recorde mundial, com a queda de mais um treinador, com o agravante na reta final de sua competição maior. A bola da vez foi Roger Machado, do Grêmio, que não resistiu a queda vertiginosa do seu time e dançou. O esporte da chuteira do Brasil não muda nada em seus conceitos, e falta-lhe o principal, a governança corporativa, responsável por um bom planejamento.

Com essa demissão, um fato assustador que preocupa aos que analisam o futebol. Dos vinte clubes disputantes do Brasileirão, apenas Dorival Junior técnico do Santos continua à sua frente, os dezenove restantes mudaram uma, duas e até três vezes de comando, sendo que no Flamengo, Muricy Ramalho deixou o cargo por doença, Ricardo Gomes do Botafogo, foi contratado pelo São Paulo e Edgardo Bauza que pediu demissão do time do Morumbi, para assumir a seleção da Argentina. A falta de conceito dos dirigentes leva a modificação constante de tais profissionais, como fosse uma solução para todos os problemas.

O problema é que a mudança nem sempre resolve ou modifica a rotina de insucessos que existia anteriormente, salvo obviamente raras exceções. Os cartolas reagem perante os erros que ajudaram a implantar, procedendo com a troca de comando de suas equipes. Tudo poderia ser resolvido com o planejamento. O treinador deveria ter o perfil desejado para a temporada, mas acontece o contrário, contratam sob pressão, e no final as trocas são efetuadas.

Uma análise do problema criado com a troca de treinadores, demonstra que aquele que inicia apresenta a sua visão de trabalho, traz consigo uma equipe, indica atletas, e na chegada do seu substituto, há um reinício, como nova equipe, indicação de novos jogadores, e assim por diante. Torna-se uma roda viva financeira, com altos custos, influenciando nos seus resultados. Se contratar o homem certo para o momento certo, tais fatos certamente não aconteceriam.

Um bom gestor deveria saber que na prática da administração, quando se troca uma pessoa que comanda uma empresa, ou uma equipe, começa um novo ciclo de aprendizagem, de um novo processo de trabalho, que demandará um tempo maior para a obtenção de resultados. Pesquisas realizadas mostram que nos primeiros jogos, o novo treinador consegue alguns sucessos, depois entra no mesmo processo do seu antecessor. É um ciclo vicioso, na maioria dos casos.

Ou mudamos essa filosofia danosa, ou iremos continuar a bater recordes nesse segmento, e ao mesmo tempo endividando os clubes com os distratos dos contratos. Se essas trocas dessem certo, América-MG e Santa Cruz estariam no G4 e não na zona do rebaixamento.

São coisas do futebol brasileiro.

Escrito por José Joaquim

A goleada do Barcelona sobre o Celtic na Liga dos Campeões. foi destacada por nossa imprensa de forma totalmente desproporcional, com elogios em demasia para a equipe espanhola e seus principais jogadores.
Por outro lado quem assistiu o jogo sem paixão, de forma independente, observou que o time escocês era bem fraco, longe do nível do adversário, que jogou como o Ibis e o Santo Amaro, que eram massacrados por nossos clubes quando esses tinham um bom futebol.
Nem tanto o céu, nem tanto á terra. Uma coisa é uma coisa, e uma outra coisa é outra coisa. O time catalão jogou bem, mas o adversário era o que chamamos de mequetrefe, e por isso o banho de gols.
Pelos comentários de nossas mídias, todos os jogos realizados no Velho Continente são excelentes, o que não é verdade, e já assistimos alguns eventos bem fracos. Obvio que o futebol europeu está à frente do nosso com uma longa distância. Como nas corridas de cavalos, esse está na primeira turma e os nosso na décima. Puro-sangue disputando com pangarés.
Tal fato se reproduz nas análises dos jogos realizados em nosso país, em especial na sua maior competição. Não existe nada pior do que assisti-los e ouvir alguns comentários. Muitas vezes achamos que estamos como o ex-presidente Lula, vivendo em outro mundo, ou seja, aquele em que não se sabe de nada. Nem as propinas. Temos analistas de computador, onde o pênalti se for contra o time do seu estado, não aconteceu, caso contrário esse foi bem escancarado.
Assistimos alguns jogos nesse meio de semana, e anotamos as interpretações equivocadas e muitas vezes clubísticas. Achar que a partida entre Palmeiras e Flamengo teve um bom futebol, foi grotesco. Para se ter uma ideia, no primeiro tempo a bola em movimento representou 40% dos 48 minutos jogados, 19,2%. Não houve futebol, e sim muitas faltas e sobretudo minutos perdidos nos laterais e reposição da bola pelos goleiros. Na verdade foi uma partida de mediana para baixo, mas como era Flamengo e Palmeiras essa tornou-se grandiosa.
Enquanto isso, embora sem um alto nível, o jogo entre o Botafogo e Santos foi muito mais movimentado. Bem disputado, com muitas finalizações dos dois lados e uma boa dinâmica dos times. Pouco se falou, desde que os participantes não eram os queridinhos das mídias, mas os torcedores como nós gostaram.
Certamente uma boa parte de nossos jogos são fracos. Santa Cruz vs Atlético do Paraná foi um bom exemplo, e as 2.471 testemunhas sofreram no local, e aqueles que o assistiram pela TV devem ter passado para outro canal. Uma verdadeira penitência. As análises foram diferentes com elogios para o time local, que ganhou o jogo na bacia das almas, com vaias que já estavam sendo ouvidas.
Nem tanto o céu, nem tanto a terra. Nem tudo da Europa é ouro e nem tudo no Brasil é lata. Nos dois lados temos de tudo um pouco, inclusive nas análises efetuadas. Na realidade hoje é um sofrimento assistirmos alguns jogos de nosso futebol, mas também temos momentos de alegria.  
São coisas do futebol brasileiro.
Escrito por José Joaquim

NOTA 1- O LEMA DA DIRETORIA DO SPORT É O DE RASGAR AS TRADIÇÕES

* A diretoria do Sport Recife detesta as tradições.

As cores rubro-negras estão desaparecendo do clube. As camisas do time de futebol imitam as dos europeus. O fabricante não tem trabalho. Como são patrocinadores de grandes clubes do Velho Continente, fazem uma gambiarra e introduzem nos uniformes do rubro-negro de Pernambuco.

O vermelho e preto está sendo substituído pelo amarelo, cinza, preto e outras cores.

A última novidade será apresentada hoje, no jogo contra o Atlético-MG, com um uniforme dourado como um mico leão.

Do jeito que as coisas caminham nas hostes do Sport, brevemente o Leão, símbolo do clube, será trocado por uma zebra.

Enquanto isso os rubro-negros assistem essa destruição de forma passiva.

NOTA 2- COMO É BOM SER FEDERAÇÃO

Os números impressionam.

As federações estaduais que tem filiados disputando o Brasileirão, mesmo sem jogadores, sem os custos do futebol, cada vez arrecadam mais.

A Paulista, com as boas arrecadações de Palmeiras e Corinthians, com a cobrança da taxa de 5% sobre a renda bruta, até a 24ª rodada, arrecadou R$ 1,9 milhões.  

A seguir vem a Carioca, com R$ 948,4 mil.

A Pernambucana também tem seus momentos de fartura. Os filiados Sport e Santa Cruz já deixaram nos cofres da mentora R$ 279,7 mil. Muito dinheiro sem retorno.

A Federação de São Paulo ganha de 8 clubes disputantes no item Renda Bruta, inclusive um seu filiado, a Ponte Preta.

São coisas do futebol brasileiro.

NOTA 3- POBRE FUTEBOL BRASILEIRO  

* Em nosso poder uma Resolução da Federação Maranhense de Futebol, que representa a realidade do abandonado futebol brasileiro, em especial dos estados do Nordeste e Norte.

A citada resolução cancela o Estadual local da Série B, que iria começar no final do mês de setembro. A competição seria disputada por quatro times, sendo dois do interior, Sabiá, de Caxias, e o Pinheiros Atlético Clube, de Pinheiros, e outros dois da capital, Boa Vontade e Americano.

As equipes interioranas não cumpriram o que determina o Estatuto do Torcedor e foram afastadas, e como o Regulamento Geral do Circo Brasileiro de Futebol (CBF) não permite competições oficiais com menos de quatro clubes, a única saída foi o cancelamento do evento, e a realização de dois jogos dos times de São Luiz, para a classificação na tabela do Campeonato da Primeira Divisão.

Isso é sem dúvidas, o retrato do futebol brasileiro.

NOTA 4- ¨YO NECESSITO¨

* O Brasil vive a era da imbecilidade em todos os seus segmentos. O futebol é um prato cheio.

A bola da vez é um vídeo de Neymar tocando piano, e lançando a sua música, com o título em espanhol ¨Yo Necessito¨. Com tantos assuntos importantes, as mídias fazem uma festa com algo grotesco e ridículo. O mais grave de tudo, que estão promovendo de graça um trabalho de marketing de uma fábrica de chocolate.

Nós merecemos.

NOTA 5- LUCIANO DO VALE E A VISÃO DOS JOGOS ÀS SEGUNDAS

* Descobriram a pólvora quando essa já tinha sido descoberta no final década de 90.

Hoje estão festejando o sucesso dos jogos das segundas-feiras que apresenta a melhor média de público do campeonato, com 21 mil pagantes por jogo, 45% maior do que a média geral da competição.

O horário das 20h tornou-se o ideal para jogos de futebol durante a semana.

O falecido Luciano do Vale vislumbrou tal fato em Pernambuco, e através da TV Pernambuco adquiriu os direitos de transmissão, e quando estávamos preparando a tabela nos pediu um jogo no interior, com um time grande, nas segundas.

Foi um tiro na mosca, e conseguiu o impossível trazer para a emissora uma liderança no horário. Os estádios sempre lotados e as cidades participando com a maior intensidade e movimentação. Luciano tinha um visão diferente dos esportes, e hoje estamos vivenciando uma ideia sua dando mais uma vez certo, e mostrando aos que enterram o nosso futebol que o horário das 22h é indecente e pornográfico.

Escrito por José Joaquim

A Série B Nacional merece uma análise psicológica. Além de uma qualidade precária, uma média de publico grotesca, os clubes parecem que não desejam o acesso para a Divisão maior do futebol brasileiro. CRB e Ceará são os maiores exemplos. No returno o time alagoano é o 17º colocado com 5 pontos em 6 jogos, enquanto o cearense é o lanterna com apenas 3.
A equipe de Alagoas apesar de uma performance pífia nessa segunda etapa ainda consegue se manter no G4 por conta das gorduras acumuladas na fase anterior e da falta de motivação dos adversários. O Londrina tem a mesma pontuação, situou-se na 5ª posição e perde nos critérios técnicos. Na realidade, pelo que representam no futebol nacional Bahia e Náutico deveriam ter subido no bonde da história que estava passando por suas portas, mas ainda continuam tropeçando, embora o time baiano tenha pulado da 13ª colocação no turno (23 pontos), para a 7ª no returno (36 pontos), sendo o 2º colocado nessa fase com a conquista de 13 pontos.
Com relação a equipe pernambucana a situação é mais grave. Terminou o Turno na 6ª colocação, com 28 pontos, e no returno somou apenas 5, encontrando-se na 12ª na atual tabela, com 33 pontos. Nessa segunda fase o alvirrubro somou 5 pontos, e ficou na zona de rebaixamento (18º).
Existe uma apatia desses times com relação ao acesso. Todas as condições foram ofertadas e estão sendo desperdiçadas, abrindo espaço para que Londrina, Vila-Nova, e Avai se aproximassem do grupo, com boas performances, em especial o time catarinense que somou 13 pontos nos 18 disputados no returno, com um salto da 15ª posição, para a 9ª, distando apenas dois pontos do 4ª colocado.
Nem Freud poderia explicar esse momento. Os analistas não conseguem uma definição para a permanência do CRB no G4, quando esse conquistou apenas 5 pontos na segunda fase, e queimou todas as gorduras acumuladas.  Os clubes que poderiam ter subido no cavalo selado oferecido, não o fizeram. Enquanto o time alagoano era derrotado em casa pelo Avaí, o Ceará (5º) sofria um vexame ao perder para o lanterna Sampaio Correa, em casa, o Londrina (6º) empatava com o Tupi que está na zona de rebaixamento, e o Bahia (7º, na classificação anterior), era atropelado pelo Paysandu.
Com relação ao Náutico, embora não tivesse uma pontuação para chegar ao grupo maior, mas poderia ter uma aproximação, empatava com o Joinville, perdendo também a oportunidade oferecida. Avaí e Vila Nova obtiveram o sucesso, e estão com apenas 2 pontos de diferença para o 4º colocado. O quadro atual mostra que Vasco e Atlético-GO tem respectivamente 99% e 94% de chances para o acesso.
As duas vagas restantes serão disputadas pelo Brasil de Pelotas (45%), Bahia (40%) e Londrina (38%). Enquanto isso o CRB que já teve um percentual de 55%, apresenta-se com 26%. O Ceará que também era detentor de 55% de chances despencou para 13% e o Náutico que chegou a 45%, tem apenas 11% de esperanças.
Voltamos a repetir, sem planejamento nenhum clube poderá obter sucesso, e com um agravante, nunca uma Série B foi tão medíocre como a atual. A pontuação e a média de público retratam muito bem, e na certeza que clubes como Oeste, Bragantino e Tupi, não tem demanda para uma Divisão importante do futebol nacional, por conta de seus torcedores, que na verdade são reduzidos.
Escrito por José Joaquim

O presidente da Federação Pernambucana de Futebol, depois de sugerir a pena de morte para os torcedores que brigarem nos estádios ou nas ruas, fato esse que serviu de chacota nos diversos programas esportivos brasileiros, convocou uma coletiva que contou com a presença de quatro ouvintes para falar sobre a violência no futebol de Pernambuco, e mais uma ideia ¨original¨, a de oferecer um prêmio para o ¨Disque Denúncia¨.
Na verdade ideias como essa mostram o desconhecimento do tema, que é muito mais profundo do que uma delação por dinheiro. Aliás no caso de domingo as imagens que circularam em nossa cidade foram ao vivo e a cores. Nós recebemos na mesma hora, e trata-se de um farto material para a Policia local, que faz um trabalho de enxuga gelo, já que os bandidos não são condenados.
Cansamos de escrever e falar sobre a violência no futebol, e tudo continua a acontecer, com a gravidade de um maior acirramento entre as partes. Conversamos com amigos torcedores que nos disseram que ficam com medo de irem ao estádios por conta da impunidade reinante. Todos os problemas que acontecem fora dos gramados estão relacionados às torcidas organizadas. Dentro desses praticamente não existe, graças ao trabalho articulado com todos os poderes realizado pelo Juizado do Torcedor. O palco agora está na rua, onde os encontros programados nas redes sociais se transformam em lutas campais.
Os clubes são culpados. Com exceção do Sport, que rompeu os seus laços com tais torcedores, uma das poucas coisas boas da atual gestão, os demais acobertam as suas organizadas, inclusive no lado financeiro. No momento da agressão de domingo, recebemos uma foto do agredido, que é presidente da Inferno Coral, festejando o lançamento dos novos uniformes com dirigentes do Santa Cruz. Criaram a cobra e essa está engolindo-os. Sabemos que no meio dessas torcidas, existem pessoas envolvidas com o crime organizado, além do acesso às drogas.
O combate deve ser feito através da asfixia financeira, e com a proibição de utilização de símbolos dos clubes em seus materiais. Com os cofres vazios, vem a inanição, desde que não terão mais recursos para a captação de seus ¨soldados¨.
Na verdade, a maioria é de jovens sem perspectiva que se unem a tribos que lhes dão identidade, valor e sentido que a sociedade lhes nega, sobretudo algo mais importante para o ser humano a educação. Torcedores organizados não somam nada no contexto, e servem para afugentar os que desejam frequentar os estádios e consumir os produtos de seus clubes. 
Quantos amigos nossos que usavam camisas dos seus times em dias de jogos relutam hoje em fazê-lo, por ficarem passíveis de uma agressão? Pena de morte ou Disque Denúncia não irá resolver o problema, e para tal basta atender o que determina o Estatuto do Torcedor, e entender que o problema é social, e que deve ser tratado como tal, com a participação de diversos segmentos, e em especial dos órgãos de segurança com o auxilio de seus setores de inteligência.
O torcedor precisa perder o medo de ir a um jogo, e para que isso aconteça existe a necessidade da participação de toda a sociedade.