O futebol brasileiro teve um passado brilhante, um presente sofrível e sem uma perspectiva de um futuro promissor.
Nenhum segmento consegue evoluir se não contar com a presença de pessoas competentes e honestas.
O maior exemplo está na politica que foi entregue ao que de pior existia e deu no deu, uma corrupção bem administrada pelo crime organizado que estava no poder.
O maior avanço no futebol não foi a melhoria das gestões dos clubes, nem as suas finanças, menos ainda as instalações esportivas ou a formação de jogadores, e com isso o avanço da qualidade dos jogos realizados no país. A principal mudança foi a passagem do reinado dos clubes para os empresários.
Esse pequeno texto não é de um estudioso do setor e sim do cientista Emil Sader, que há anos atrás analisou a realidade do novo futebol nacional.
Na verdade a mercantilização tomou conta desse esporte de forma desproporcional, onde jogadores e treinadores só dão entrevistas com bonés dos patrocinadores ou, ainda deixam os seus clubes no meio dos campeonatos para atender propostas da China e do Leste Europeu, numa demonstração de que esses hoje nada representam.
Os jogadores se livraram da lei do passe, para se transformarem em mercadorias nas mãos dos empresários e de alguns cartolas. A liberdade adquirida foi passada para esses, que compram e vendem mercadorias, não seres humanos.
Os clubes vivem de empréstimos concedidos por esses personagens. Os números são escandalosos.
Na verdade, temos um pensamento a respeito dessa mercantilização, e que privou a democratização do futebol, quando tiraram dos clubes os direitos de serem públicos e administrados como tal. Esses hoje são fechados e com raras exceções sem a mínima transparência. Os rombos só aparecem quando os balanços anuais são publicados.
Os jogadores perderam o apego que tinham às camisas, pois vivem num constante vai-e-vem.
A necessidade latente para a democratização do futebol brasileiro passa também pela preservação de seus patrimônios, que são os direitos econômicos dos jogadores, usurpados por terceiros, sem cores nem amor às suas camisas, e sim ao lucro.
Quando as agremiações se abrirem mais, tornarem-se transparentes em todas as suas atividades, certamente outros rumos poderão ser tomados, principalmente com a participação de todos os segmentos que passarão a pressionar para a busca de uma melhor gestão e escolher positivamente os seus dirigentes.
Para que se possa cuidar dos destinos de um clube, tem que ser considerado como uma função pública e democrática, pois atinge a identidade, o estado de espirito produz a devida alegria e, muitas vezes, sofrimento em milhões de pessoas.
O resto é ¨sabedoria¨.
De uma coisa temos a certeza, de que se continuarmos com o modelo vigente, o futebol do país não tem futuro.